Refugiados que vivem no Brasil têm escolaridade acima da média brasileira, mas são mais afetados pelo desemprego e poucos conseguem revalidar o diploma no país, segundo pesquisa inédita divulgada hoje (30) pela Agência da ONU para Refugiados (Acnur).
O levantamento foi feito com base em entrevista com 497 imigrantes forçados a sair de seus países de origem, que vivem em 14 cidades brasileiras. Juntos, esses municípios concentram 94% dos refugiados sob proteção do governo federal. Até o ano passado, o Ministério da Justiça reconheceu 10,5 mil pessoas nessa condição em todo o país.
Segundo o documento, 34% dos refugiados ouvidos na pesquisa concluíram o ensino superior, e 3% já cursaram alguma pós-graduação – especialização, mestrado ou doutorado. O índice é maior que o da população brasileira acima de 25 anos, que registra apenas 15% de pessoas que concluíram o mesmo nível de ensino. Dentre os vindos de países não-lusófonos, 92% falam português.
No entanto, os refugiados encontram dificuldades para revalidar os diplomas. Entre os entrevistados – pessoas acima de 18 anos –, apenas 14 conseguiram aproveitamento dos anos de estudos, contra 133 que não conseguiram.
Mais da metade (57%) dos entrevistados estavam trabalhando entre junho de 2018 e fevereiro de 2019. Neste grupo, 22% desempenham algum tipo de atividade empresarial. Dos 462 imigrantes que responderam a respeito, 315 (68%) não atuavam em suas áreas de formação. Por outro lado, 95 refugiados (19%) estavam desempregados no período, índice superior à média nacional – de 12%, em março.
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