O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que falhas de manutenção, problemas no sistema da aeronave e uma cultura organizacional de omissão de irregularidades contribuíram para a queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas, em agosto de 2024, em Vinhedo (SP). O relatório foi divulgado nesta quinta-feira (23).
A investigação identificou que tripulações anteriores já haviam registrado alertas relacionados ao acúmulo de gelo e ao sistema de degelo, mas essas ocorrências não eram formalmente comunicadas. Segundo o Cenipa, a empresa também apresentava fragilidades nos processos de manutenção, incluindo a reutilização de componentes com defeito em outras aeronaves.
Durante o voo, o sistema emitiu diversos avisos sobre o acúmulo de gelo e a perda de velocidade provocada pelo problema. Os investigadores apontaram que os procedimentos previstos para essas situações não foram seguidos, o que, aliado às falhas técnicas e ao excesso de tarefas enfrentado pela tripulação, levou à perda de controle da aeronave.
O Cenipa afirmou que a cultura organizacional da companhia teve papel determinante no acidente. A análise de cerca de 15 mil voos da Voepass também identificou centenas de ocorrências de degradação de desempenho que não foram comunicadas às autoridades, embora devessem ser reportadas.
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