José Múcio permanece à frente do Ministério da Defesa. Em coletiva de imprensa, na tarde desta quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descartou a demissão do ministro, que foi especulada após os ataques bolsonaristas aos prédios do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, em Brasília.
"Quem coloca ministro e tira ministro é o presidente da República. O José Múcio foi eu quem trouxe. Ele vai continuar sendo meu ministro porque eu confio nele, relação histórica, tenho o mais profundo respeito por ele. Ele vai continuar", disse Lula em entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto.
"Se eu tiver que tirar cada ministro a hora que ele comete um erro, sabe, vai ser a maior rotatividade de mão de obra da história do Brasil. Todos nós cometemos erros", completou o presidente.
Ao longo dos primeiros dias de governo, Múcio se posicionou de forma contrária à dispersão dos acampamentos de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), que considerou como “uma manifestação da democracia”. O ministro ainda argumentou que desmobilizá-los pela força acirraria ainda mais os ânimos.
Após os atos terroristas, Múcio passou a ser criticado por governistas. Na terça-feira (10), o deputado estadual André Janones (Avante), aliado de Lula, chegou a publicar em seu Twitter que o ministro entregaria sua carta de renúncia ainda naquele dia.
Forças Armadas
Durante a entrevista, Lula afirmou ainda que as Forças Armadas não são "poder moderador, como pensam que são". O presidente destacou que o papel dos militares, definido na Constituição, "é a defesa do povo brasileiro e da nossa soberania contra possíveis inimigos externos."
O petista afirmou que teve uma boa relação com as Forças Armadas durante seus dois mandatos anteriores, entre 2003 e 2010. Para ele, porém, os militares foram "poluídos" por Bolsonaro, que passou a trata-los "como se fosse uma coisa dele."
Lula também criticou a presença de parentes de militares nos acampamentos bolsonaristas, que considerou como não democráticos. "Nós vimos no acampamento mulher de general, mulher e filha de general gritando 'golpe'. Isso não é normal", disse.
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