O governador eleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), descartou em entrevista ao Jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta sexta-feira (10), um diálogo com a “direção” atual do PP. O petista não deu sinal verde para um possível retorno da sigla à base do PT na Bahia.
Rumores sobre a volta dos progressistas para a base governista aumentaram após a derrota de ACM Neto (União Brasil) nas eleições. Apesar de a liderança pepista na Bahia, o atual vice-governador João Leão (PP), dificultar esse diálogo, quadros do PP estariam se movimentando para refazer a aliança.
Em meio a negativa das tratativas com a liderança do PP no estado, Jerônimo destacou a importância da articulação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para atrair partidos que estavam com Jair Bolsonaro (PL). Ele reforça que a movimentação é essencial para aprovar projetos.
“Eu farei isso aqui na Bahia, vou conversar com as bancadas. É claro que vamos ter dificuldade com alguns partidos. No caso do PP, com essa direção que está, não tem diálogo. Mas nós faremos o diálogo com alguns parlamentares em torno de projetos de interesse do governo do estado. O Lula me disse pessoalmente que vai fazer esse arranjo político no Congresso para que possa ter uma quantidade mínima para os projetos, para o debate nacional. Espero que a gente possa ter apoio em torno de temas que o Brasil precisa pactuar”, disse.
O rompimento do PP com a base petista na Bahia aconteceu no início do ano, após o vice-governador João Leão acusar os antigos aliados de não terem cumprido um suposto acordo para que ele ficasse por nove meses no governo. O pepista ficaria no cargo após uma possível renúncia de Rui Costa (PT), que disputaria uma vaga no Senado Federal.
Ainda durante a entrevista à Folha, Jerônimo comentou sobre o risco do presidente Lula cair em armadilhas da negociação fisiológica com o Centrão. “Nos governos Lula e Dilma, nós começamos a construir uma cultura, uma nova forma de fazer política sem um papel submisso ou chantagista do Legislativo. Mas o Centrão não vai mudar o seu comportamento de um ano para o outro. O comportamento do Centrão é conceitual, é aquele ali. Nós é que temos que evoluir, mas isso não acontece em quatro anos. Lula não vai conseguir chegar e dar tapa na mesa porque não é assim”.
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