A empresa baiana Sisalândia Fios Naturais foi condenada a pagar o valor de R$ 1 milhão por comprar sisal — fibra natural extraída artesanalmente do cacto — produzido com o uso de trabalho análogo à escravidão. A empresa da indústria têxtil recorreu da decisão.
A determinação foi obtida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em ação civil pública movida contra a empresa beneficiadora na Justiça do Trabalho.
De acordo com o MPT-BA, em 2020, 12 pessoas foram resgatadas na Fazenda Ouro Verde, no município de Várzea Nova, na Chapada Diamantina. Após o resgate, o MPT concluiu que Jean Clebson Araújo Magalhães, identificado inicialmente como o empregador dos resgatados, na verdade fazia a ponte entre a etapa rural e urbana do beneficiamento do sisal, a estocava, e depois enviava para a Sisalândia.
A empresa comercializa sua produção para mercados dos Estados Unidos, Europa, África e Ásia. O setor de sisal no Brasil, maior produtor dessa fibra no mundo, movimentou R$282 milhões em 2020.
As pessoas que retiram a fibra alimentar a cadeia, no entanto, enfrentam condições insalubres de trabalho. Os auditores-fiscais do trabalho que realizaram a operação em 2020 relataram que o rendimento individual era de menos de R$400 mensais, além de estarem submetidos a condições de trabalho precárias, sem acesso a sanitários, água potável nem equipamentos de proteção.
Ainda segundo o MPT, na chamada região do sisal, no interior da Bahia, é comum ver trabalhadores com dedos e mãos mutilados pelo chamado “motor paraibano”, máquina usada para tratar a fibra ainda na área de coleta.
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