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Baiana ofendida no Pelourinho registra BO contra turistas e também vai processá-los

Dois homens registraram e publicaram um vídeo nas redes sociais chamando uma baiana de axé de marmoteira e preguiçosa

17/11/2021 17h47
Por: Redação
Foto: Reprodução Redes Sociais
Foto: Reprodução Redes Sociais

A baiana de axé Eliane de Jesus Sousa, 48 anos, registrou um Boletim de Ocorrência (BO) contra os dois turistas que gravaram e publicaram um vídeo nas redes sociais no qual a chama, entre outras ofensas, de marmoteira e preguiçosa. O caso ocorreu no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, na última segunda-feira (15).  O BO foi registrado na Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur), na tarde desta terça-feira (16), onde prestou depoimento durante toda a tarde.

Segundo o jornal Correio, o advogado da baiana, Marcos Alan da Hora Brito, irá processar os dois rapazes por cinco crimes: calúnia, injúria racial, injúria religiosa, difamação e racismo. Caberá à Polícia Civil, ao Ministério Público e à Justiça acatar as acusações.

“O racismo foi direcionado à toda a uma comunidade negra, além do racismo regional, atribuindo a uma baiana o título de preguiçosa. É um estereótipo construído socialmente que machuca profundamente”, declarou, Marcos Brito.

A Lei Nº 7716/89, conhecida como a Lei do Racismo, estipula a pena por discriminação racial de um a três anos. Se o crime for cometido “por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza”, como é o caso, uma vez que o fato foi divulgado pelas redes sociais, a reclusão aumenta: vai para de dois a cinco anos. Além disso, a defesa da baiana pretende pedir indenização por danos morais, por meio de ação civil, pelo uso da imagem dela e ofensa à personalidade da mesma.

Para Marcos Brito, o pedido de desculpas feito pelos dois turistas - um deles, identificado como o lutador e influencer Ludvick Rego - só piorou a situação. “O pedido de desculpas que eles fazem é à Bahia, ao pelourinho e ao povo baiano, eles não pedem desculpa a ela, e tentam justificar a intolerância religiosa praticada. Ao invés de pedir desculpas, ele a ofende novamente e ainda pratica, de novo, a difamação e calúnia, porque disse que ela o estava perturbando. Em momento nenhum, ela teve contato com ele. Ele mentiu”, afirma.