O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou, nos primeiros 14 dias de outubro, 2.536 focos de incêndio no Pantanal. A quantidade de queimadas transformou este mês no segundo pior outubro para o bioma desde 1998 - o mais danoso foi o de 2002, com 2.761 registros. Em 2019, houve 2.430 pontos de incêndio.
A intensificação do desastre ambiental, analisando os meses de outubro, sucede ao que foi o pior mês da história do bioma - em setembro, foram 6.048 registros, derivados do maior período de estiagem em 47 anos, de acordo com a ONG SOS Pantanal. O Greenpeace, por sua vez, atribui os recordes "à política antiambiental do governo" - a declaração foi dada ao portal G1 pelo porta-voz da campanha da Amazônia, Rômulo Almeida.
Felipe Augusto Dias, diretor-executivo da SOS Pantanal, reiterou o papel da seca no alastramento das chamas: "Evidentemente que o fogo pega porque alguém colocou, mas lugares que estariam inundados, neste ano, não estão, o que faz sobrar muita matéria orgânica. A seca de fato contribui para aumentar a intensidade", afirmou ao G1.
O Inpe tem protagonizado embates com o governo federal desde o pedido de demissão do diretor Ricardo Galvão, em agosto de 2019, após o presidente Jair Bolsonaro criticou declarar que os dados sobre desmatamento divulgados pelo Instituto faziam "campanha contra o Brasil".
No último revés, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou em audiência pública no Senado que as queimadas que têm consumido o Pantanal seriam menos intensas caso houvesse mais gado no bioma. Segundo ela, ao comer capim seco e inflamável o boi acabaria prevenindo o avanço do fogo - a teoria do 'boi-bombeiro', no entanto, tem sido refutada por especialistas.
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