O ex-ministro Sergio Moro, que anunciou sua demissão do Ministério da Justiça da manhã de hoje, apresentou ao Jornal Nacional provas das acusações de que o presidente Jair Bolsonaro teria demitido o ex-diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, sem outro motivo a não ser o interesse de interferir politicamente nas investigações da instituição.
Moro disse, ainda, que a exoneração de Valeixo não teve seu consentimento — o documento foi publicado no Diário Oficial da União com sua assinatura, mas o ex-ministro nega ter firmado.
O Jornal Nacional, que dedicou toda a edição de hoje ao tema, revelou imagens de conversas entre o então ministro e a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) no WhatsApp, que mostram que partiu de Zambelli a proposta de trocar a demissão de Valeixo pela indicação ao Supremi Tribunal Federal.
Em pronunciamento na tarde de hoje, Bolsonaro disse que foi Moro quem condicionou aceitar a demissão do diretor-geral da PF ao cargo de ministro do STF.
"Por favor ministro, aceite o [Carlos] Ramage para assumir a direção da PF", pede a deputada Carla Zambelli, aliada a Bolsonaro. Na troca de mensagens, ela se compromete a convercer Bolsonaro a indicar Moro ao STF caso ele assinasse a exoneração de Valeixo.
Moro responde "Prezada, não estou à venda".
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