A possibilidade de substituição da escala 6x1 pela jornada 5x2 tem gerado debates em todo o país, além de dúvidas entre milhões de trabalhadores brasileiros que podem ter sua rotina impactada. Mas, afinal, o que isso mudaria na prática?
De acordo com análise jurídica do advogado trabalhista Nevton Rios, a mudança representaria “uma reorganização profunda da vida do trabalhador, com efeitos diretos no descanso, no planejamento familiar e na saúde mental”.
Como fica sua rotina na prática?
O advogado Nevton Rios explicou que a transição para a escala 5x2 significa trabalhar cinco dias consecutivos, com dois dias de folga também consecutivos, geralmente sábado e domingo, e jornada de até oito horas diárias, totalizando 40 horas semanais. Segundo ele, para o trabalhador, isso traz maior previsibilidade e mais tempo para convívio social, estudo e lazer.
“O modelo 6x1 gera exaustão acumulada porque a folga isolada não recupera plenamente o desgaste físico e emocional. A escala 5x2 corrige isso”, afirmou, acrescentando que empresas que já adotaram o formato relatam aumento de engajamento e leve ganho de produtividade, estimado em 0,5% por hora trabalhada.
O que muda nos seus direitos?
A legislação brasileira garante proteção salarial. Ou seja, mesmo com a alteração da escala, não pode haver redução de salário. O advogado, que também é professor da Estácio, reforça que “qualquer diminuição salarial ou mudança unilateral é nula, conforme o artigo 468 da CLT. A transição precisa ser negociada.”
A mudança também impacta positivamente a saúde e reduz riscos de estresse crônico, comum entre trabalhadores submetidos a longas jornadas. Estudos apontam que o novo modelo pode reduzir absenteísmo (faltas, atrasos ou saídas antecipadas não programadas dos colaboradores) e rotatividade, favorecendo setores onde o desgaste físico é maior.
O outro lado da mudança
Apesar dos benefícios individuais, especialistas alertam para impactos econômicos que podem afetar o mercado de trabalho. Estimativas apontam risco de eliminação de até 640 mil vagas, especialmente no comércio e na construção civil. Empresas também podem enfrentar aumento de custos de até R$ 267 bilhões por ano, o que pode dificultar a implementação em certos setores.
Nevton Rios afirma ainda que atividades contínuas, e exemplo de indústrias, logística e serviços essenciais, demandariam adaptações mais complexas, com aumento de até 4,7% na folha de pagamento. “A mudança é positiva, mas precisa de planejamento e de medidas compensatórias, como incentivos fiscais e implementação gradual”, analisa.
O que países que já adotam a 5x2 ensinam
Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França já aplicam modelos semelhantes, com jornadas que variam entre 35h e 48h semanais. Nesses países, acordos coletivos e regras flexíveis evitam prejuízos econômicos, um caminho que especialistas defendem para o Brasil.
“Em resumo, o fim da escala 6x1 pode significar mais equilíbrio, melhor qualidade de vida e produtividade sustentável para os trabalhadores. No entanto, exige diálogo entre governo, empresas e sindicatos para evitar demissões e assegurar uma transição juridicamente segura. É uma mudança histórica. Se for bem conduzida, beneficia o trabalhador e fortalece relações de trabalho mais humanas e equilibradas”, finalizou Nevton Rios.
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