O Instituto Butantan anunciou, nesta quarta-feira (3), um acordo para desenvolver uma nova vacina contra a raiva destinada ao uso humano. O imunizante, que utiliza uma tecnologia mais potente e de menor custo, será produzido em parceria com a Replicate Bioscience, empresa norte-americana especializada em soluções de saúde.
A Replicate desenvolveu uma plataforma de RNA autorreplicante (srRNA) voltada para vacinas e terapias contra doenças infecciosas. Essa tecnologia amplia a ativação imunológica e aumenta a produção de antígenos, oferecendo resposta mais robusta com doses menores.
Diferentemente das vacinas de RNA mensageiro (mRNA) usadas durante a pandemia de Covid-19, o srRNA carrega não apenas as instruções genéticas para a produção de proteínas, mas também genes que permitem a replicação da molécula dentro da célula hospedeira. Isso faz com que o RNA permaneça ativo por mais tempo, gerando resposta imune mais forte com menor quantidade de material genético.
Nos testes clínicos de fase 1 conduzidos pela Replicate, a vacina em desenvolvimento, chamada RBI-4000, mostrou alta capacidade de induzir anticorpos contra a raiva, com produção duradoura mesmo em baixas doses. Os efeitos colaterais foram leves ou moderados.
Pelo acordo, o Butantan financiará o desenvolvimento da vacina para uso pré e pós-exposição e assumirá os direitos de comercialização no Brasil e na América Latina, enquanto a Replicate receberá royalties e seguirá responsável pelos mercados de outras regiões. A transferência da tecnologia de fabricação será feita para a unidade de mRNA do Butantan.
A parceria fortalece a capacidade do instituto de incorporar tecnologias avançadas e desenvolver imunizantes de alta complexidade, ampliando oportunidades de pesquisa e inovação. O Butantan também conduzirá os ensaios clínicos necessários para o registro do novo produto.
A raiva é uma doença viral grave que afeta o sistema nervoso central e pode ser transmitida ao ser humano pela saliva de animais infectados, principalmente por mordidas. Entre os sintomas estão mal-estar, náuseas, irritabilidade, dor de cabeça e, em casos graves, delírios, convulsões e paralisia.
Para a Replicate, a parceria representa uma oportunidade de expandir a aplicação da tecnologia de srRNA. Para o Butantan, é um passo importante para reforçar seu papel como polo de inovação científica e de produção de vacinas no país.
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