Receber um diagnóstico de autismo na vida adulta pode despertar uma combinação de sentimentos. Algumas pessoas relatam alívio por encontrarem uma explicação para dificuldades antigas, enquanto outras sentem tristeza e até um certo luto pela trajetória vivida sem esse reconhecimento. Há também quem experimente validação e redução da autocobrança, já que o diagnóstico funciona como uma nova lente para compreender a própria história.
A psicóloga Carol França explica que o diagnóstico funciona como uma verdadeira “chave de leitura”, com experiências passadas, como desafios sociais, sensoriais ou emocionais, que deixam de ser vistas como falhas pessoais e passam a ser entendidas dentro de um contexto neurológico. Com isso, ela afirma que o autoconhecimento se torna mais profundo.
A psicóloga destaca que, no impacto emocional inicial, algumas estratégias ajudam bastante. “Buscar informação de qualidade sobre o TEA, iniciar acompanhamento psicológico, conectar-se com outras pessoas autistas e desenvolver estratégias de autorregulação são caminhos importantes e respaldados pela literatura”.
Impacto na saúde mental e transformação nas relações
De acordo com Carol França, que é coordenadora do curso de Psicologia da Estácio, estudos mostram taxas mais elevadas de ansiedade e depressão em adultos autistas, muitas vezes relacionadas a anos de adaptação social intensa, sobrecarga sensorial e experiências de incompreensão.
Por outro lado, ela afirma que o diagnóstico tardio também pode transformar relações, por meio de maior compreensão. “Pode melhorar a qualidade das relações, ao favorecer comunicação mais clara sobre necessidades e limites. Também ajuda parceiros, familiares e colegas a compreenderem melhor comportamentos antes interpretados de forma equivocada”.
Com relação às terapias indicadas após o diagnóstico, a psicóloga destaca a Terapia Cognitivo-Comportamental adaptada para TEA, intervenções voltadas para habilidades sociais e práticas focadas na regulação emocional. Ainda assim, ela salienta que é fundamental o acompanhamento individualizado, respeitando a singularidade de cada adulto autista.
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