Pré-candidato ao governo de São Paulo, Guilherme Boulos (PSol) anunciou a primeira reunião do seu partido com o PT para definir o apoio à candidatura de Lula (PT) à Presidência da República nas eleições de outubro.
“Hoje teremos a primeira reunião da equipe do PSOL com o PT para dialogar sobre o programa de unidade de esquerda no país”, declarou Boulos, em sua conta no Twitter, nesta quarta-feira (9). Na mesma publicação, ele divulgou um artigo de sua autoria para a Carta Capital, intitulado “Por que o PSOL caminha para apoiar Lula”. No texto, ele defende que “acordos partidários pautados exclusivamente pelo pragmatismo eleitoreiro despolitizam o debate público”, propõe uma aliança programática e diz que o uma sinalização do PT neste sentido seria uma forma de equilibrar os gestos que o partido tem feito ao centro ao propor Geraldo Alckmin (sem partido) como vice de Lula.
“Nesse sentido, é digna de nota a negociação que o PSol decidiu abrir nas últimas semanas com a candidatura de Lula. Mesmo tendo suas diferenças internas, como, aliás, todos os demais partidos, o PSol caminha para apoiar Lula nas eleições presidenciais, entendendo a importância da unidade contra Bolsonaro e enxergando no ex-presidente aquele que tem melhores condições para liderar essa frente. E a forma como o partido colocou o debate na mesa com o PT não foi propondo contrapartidas em palanques regionais – o que, reitero, seria legítimo –, mas apresentando pontos programáticos que considera fundamentais para a campanha de Lula”, escreveu Boulos.
Para firmar uma aliança, ele explicou que sua sigla elaborou, juntamente com sua Fundação Lauro Campos/Marielle Franco, uma plataforma com 12 pautas a serem apresentadas à base de apoio de Lula. Destes, três pontos foram considerados por ele como prioritários: a revogação de reformas consideradas por ele “neoliberais”, a exemplo da Reforma Trabalhista e do Teto de Gastos; a implementação de uma Reforma Tributária com taxação das grandes fortunas e redução de imposto para os mais pobres; e agenda ambiental ousada.
“Espero que o PT se mostre aberto a este debate de ideias e, mesmo sendo o partido hegemônico do campo progressista no Brasil, tenha a disposição de incorporar os pontos propostos pelo PSOL”, pontuou Guilherme Boulos, afirmando que uma sinalização neste sentido “seria uma forma de contrabalançar gestos ao centro que a campanha de Lula tem feito, como a proposta de Geraldo Alckmin para a Vice-Presidência” e também “um bom sinal para a esquerda brasileira, quem sabe, estabelecer um marco de maior politização das alianças no nosso campo”.
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