Em entrevista exclusiva à Rádio Metropole, nesta quarta-feira (8), o governador de São Paulo, João Doria, falou sobre as disputas com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para a chegada das vacinas no país. Ele lembrou o episódio do avião fretado pelo governo federal para conseguir trazer os imunizantes antes do governo de São Paulo.
"Aquilo seria cômico se não fosse trágico, uma vergonha. Contratou um avião da Azul, envelopou o avião da Azul com uma indicação de propaganda do governo, o avião decolou do Rio, foi para Recife, ficou estacionado no pátio do aeroporto do Rrecife durante dois dias, esperando autorização para embarcar até a Índia, a fim de trazer algumas doses da vacina AstraZeneca, apenas para iniciar a vacinação antes de São Paulo. Foi ridículo aquilo. Gastou-se milhões do dinheiro público. E ele, analfabeto que é, ainda telefonou para o Primeiro Ministro da Índia pra pressioná-lo, e ouviu um sonoro 'não' da diplomacia indiana. Uma das cenas mais grotescas da história da República".
Doria ainda disse que Bolsonaro fez de tudo para evitar a vacinação. "Em outubro já tínhamos seis milhões de doses da vacina Coronavac e poderíamos ter iniciado a vacinação logo na primeira semana de dezembro, não fossem as ameaças de Jair Bolsonaro. Quarenta e sete dias teriam salvo milhares de pessoas", afirma.
O governador de São Paulo ainda ironizou Bolsonaro, dizendo que ele tem um fascínio por sua pessoa. "São dois os escolhidos pelo presidente: o ministro Alexandre de Moraes e eu. É um fascínio que ele tem, inclusive pelas minhas calças apertadas. Eu não sei o que isso significa, mas Freud explica. Talvez outras teses também possam explicar sistematicamente o medo que ele tem, de Moraes e do governador de São Paulo. No fundo, Bolsonaro é um grande covarde", diz.
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