O ex-ministro, ex-governador do Ceará e pré-candidato à Presidência da República em 2022, Ciro Gomes (PDT), afirmou nesta terça-feira (6), em entrevista à Rádio Metropole, que a Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 está produzindo um material "relevante" sobre as irregularidades do governo na pandemia. Citando o caso do policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que se apresentou como representante da empresa Davati Medical Supply, o pedetista avaliou que o governo do presidente Jair Bolsonaro usou a compra de vacinas como um "jogo de roubalheira".
"Quando a gente vê que as práticas da milícia do Rio de Janeiro trazem um cabo da PM de Minas Gerais para abusar da cara dos senadores e do povo brasileiro como um todo... Essa CPI está sendo vista pelo povo brasileiro e isso é importante. Muitos que votaram no Bolsonaro de boa fé e foram enganados por ele estão tendo a oportunidade de ver coisas aberrantes, como os e-mails ignorados da Pfizer. Enquanto isso, uma empresa de fachada, americana, com três funcionários, traficando influência com a ajuda de um cabo da PM. Se a gente não se indignar com isso... Eu já tinha chegado no meu limite de indignação quando vi o escândalo da merenda escolar. Achava que não era possível piorar. Agora a CPI tá me mostrando que o jogo era de roubalheira. Adiar vacinas que não tinham intermediários, criar problema com o governo de São Paulo e desfazer contratos para negociar com uma empresa de fachada. Se você ainda não está indignado, alguma coisa está errada e não e com o Brasil, é com o seu coração e sua alma, que viraram pedra", pontuou.
Ciro ressaltou, no entanto, que não acredita que o país vá ser "moralizado por uma iniciativa do Renan Calheiros", lembrando que o senador do MDB de Alagoas, relator do colegiado, foi denunciado pela Polícia Federal por corrupção passiva. Segundo ele, as ações do procurador-geral da República, Augusto Aras, e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), indicam que Bolsonaro está blindado.
"Eu desconfio que não vai dar em nada do ponto de vista das consequências práticas, porque duvido que um relatório severo seja produzido. Se for produzido, não deverá ser aprovado. Se for aprovado, é capaz de os malfeitos do presidente serem acobertados, duvido muito que o procurador-geral da República saia dessa posição de engavetador-geral no caso da prevaricação. O outro crime é o de responsabilidade, claramente cometido, mas um deputado federal senta em processos de impeachment baseados em 23 crimes, porque ele foi eleito presidente da Câmara com base em um escândalo de liberação de R$ 3 bilhões em verbas para deputados", afirmou.
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