Quarta, 04 de Fevereiro de 2026
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Rubens Ricupero alerta para 'prejuízo gigantesco' com crise da Amazônia

Diplomata e ex-ministro da Fazenda avalia que consumidor europeu pode deixar de comprar produtos brasileiros

27/08/2019 09h40
Por: Redação
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O diplomata e ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, analisou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (27), a diplomacia do governo Jair Bolsonaro, diante do cenário de crise internacional gerada com os incêndios na Amazônia. 

Para ele, a posição do governo Bolsonaro causa um "prejuízo gigantesco", porque os consumidores europeus são conscientes e podem deixar de comprar produtos brasileiros. 

"O consumidor francês cada vez mais é restrito em relação à procedência dos alimentos. Nenhum deles vai comprar produto brasileiro, se souber que origem é do Brasil", alerta. 

Autor do livro "A Diplomacia na Construção do Brasil. 1750-2016", Ricupero avalia que a maneira que o governo brasileiro lida com a crise destoa da tradição diplomática no país.

"Para alguém como eu está no fim  de caminho longo, com mais de 80 anos, que escrevi aquele livro sobre séculos e tradição diplomática nossa, que vinha já desde Portugal, uma grande tradição, hoje é triste ver que temos uma antidiplomacia. É primeira vez na nossa história que temos governantes que insultam e ofendem governos estrangeiros, não só (Emmanuel) Macron, mas (Angela) Merkel, com ofensas pessoais"

Ele cita as "referências deselegantes" à idade da mulher do presidente da França, Brigitte Macron, que foram apoiadas pelo presidente Bolsonaro. 

"Então são coisas de um comportamento que nós, no Brasil, nunca tivemos. Fico triste porque penso: será que no exterior vão pensar que somos assim? Quando, na verdade, é uma ínfima minoria que se comporta dessa maneira", defende o diplomata.

Ele recorda que o Brasil passou por mais de 30 anos de esforço para melhorar a imagem internacional.

"Tivemos bons momentos, como o Rio 92, o Brasil se ilustrou e foi diplomacia que aproximou contrários e até EUA assinou convenção de mudança climática - hoje não assinariam. Depois em outro momento, foi quando a partir dos anos 2000, graças a um esforço de Marina Silva, o desmatamento começou a cair. Estávamos em fase boa e se joga tudo fora", avalia.

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