Com o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) acontecendo cada vez mais na vida adulta, muitos recém-diagnosticados enfrentam dúvidas, desafios e, ao mesmo tempo, novas oportunidades de organização da rotina e melhoria da qualidade de vida. Neste cenário, a Terapia Ocupacional desempenha um papel essencial no processo de adaptação.
De acordo com especialistas, adultos autistas frequentemente enfrentam dificuldades práticas no dia a dia, como a organização das tarefas, comunicação social, mudanças inesperadas na rotina e até questões relacionadas à sensibilidade sensorial, como sons, luzes ou cheiros. Além disso, a sobrecarga mental causada por esses fatores muitas vezes compromete o bem-estar. "A Terapia Ocupacional ajuda a identificar as dificuldades específicas de cada indivíduo e a criar estratégias personalizadas. Isso torna o dia a dia mais funcional, previsível e menos estressante", explica Matheus Maciel Pauferro, professor do curso de Fisioterapia da Estácio.
Após o diagnóstico, o trabalho com o terapeuta ocupacional busca estruturar uma rotina equilibrada, integrando aspectos como trabalho, lazer e descanso. Segundo o professor, a previsibilidade e a organização ajudam a reduzir a ansiedade e facilitam a adaptação a novas situações. “É importante criar ferramentas claras, como listas visuais, agendas e divisão de tarefas em etapas menores. Assim, a pessoa passa a ter maior controle sobre a própria rotina”, ressalta Pauferro.
A utilização de ferramentas tecnológicas também faz diferença nesse processo. Aplicativos de organização, lembretes no celular e checklists de tarefas são algumas das opções que ajudam a aumentar a autonomia dos autistas adultos. Além disso, adaptar o ambiente para reduzir estímulos sensoriais é uma estratégia importante. "O objetivo é sempre criar um contexto em que eles se sintam mais seguros e independentes nas atividades cotidianas", detalha o professor.
Outro aspecto fundamental abordado pela Terapia Ocupacional é a inclusão social, especialmente no ambiente profissional ou acadêmico. Com apoio especializado, o indivíduo pode trabalhar em aspectos como a organização de pausas ao longo do dia, a escolha de ambientes tranquilos, a antecipação de mudanças na rotina e o desenvolvimento de habilidades sociais de maneira progressiva. "A inclusão social não é apenas uma questão de convívio, mas também de criar condições que diminuam a ansiedade e fortaleçam a confiança dessas pessoas", afirma.
O professor Matheus Pauferro destaca que com o acompanhamento adequado, adultos com TEA podem alcançar maior qualidade de vida, superar desafios cotidianos e encontrar novas formas de viver com autonomia e inclusão. Segundo ele, a Terapia Ocupacional se destaca como uma ferramenta valiosa nesse processo, trazendo benefícios que se refletem tanto no aspecto individual quanto no social.
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