Segundo o relatório “Elas Vivem”, da Rede de Observatórios da Segurança, divulgados nesta sexta-feira (6), a Bahia registrou 273 casos de violência contra a mulher ao longo de 2025. O documento aponta que entre os dados mais alarmantes do estado está o perfil das vítimas de crimes sexuais. Das 75 ocorrências de violência sexual ou estupro, 57,3% vitimaram crianças e adolescentes com idade entre 0 e 17 anos.
No recorte da letalidade, o estado contabilizou 47 feminicídios e 47 homicídios de mulheres no período. Além disso, foram registradas 47 tentativas de feminicídio ou agressões físicas.
O estudo mostra que a violência de gênero no estado é frequentemente marcada por motivações como ciúmes ou a não aceitação do término de relacionamentos.
Os pesquisadores monitoraram dados de nove estados e revelaram que a violência sexual cresceu 59,6% em um ano, saltando de 602 para 961 casos no total das áreas pesquisadas. O Amazonas lidera em números absolutos de violência sexual, enquanto São Paulo concentra o maior volume total de eventos de violência contra a mulher.
O volume total de registros de violência sexual e estupro nos nove estados monitorados foi:
– Amazonas: 353 casos
– São Paulo: 191 casos
– Pará: 123 casos
– Rio de Janeiro: 95 casos
– Bahia: 75 casos
– Piauí: 53 casos
– Pernambuco: 53 casos
– Ceará: 26 casos
– Maranhão: 23 casos
Percentual de vítimas entre 0 e 17 anos dentro do total de casos de violência sexual:
– Amazonas: 78,4%
– Pará: 62,8%
– Bahia: 57,3%
– Ceará: 53,8%
– Pernambuco: 45,5%
– Piauí: 43,4%
– Maranhão: 39,1%
– São Paulo: 35,6%
– Rio de Janeiro: 30,5%
Perfil do agressor
Os dados revelam que o perigo para as mulheres e meninas está, majoritariamente, dentro de casa. Em 78,5% dos casos monitorados, a violência foi cometida por companheiros ou ex-companheiros. O ambiente doméstico e as relações íntimas de afeto respondem pela maior parte das agressões. De acordo com o relatório, isso desmistifica a ideia de que a principal ameaça vem de desconhecidos na rua.
Invisibilidade racial
Outro ponto crítico é a ausência de informações raciais nos registros. Em 86,7% das ocorrências, não houve identificação de raça ou cor das vítimas, o que dificulta a criação de políticas públicas direcionadas para mulheres negras e indígenas, que são as mais vulnerabilizadas.
Onde buscar ajuda na Bahia
Para mulheres em situação de violência em Salvador e região, os seguintes centros oferecem suporte especializado:
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