O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin determinou nesta quinta-feira (17) que o governo federal retire a Força Nacional de Segurança das cidades de Prado e Mucuri, no extremo sul baiano. A União terá até 48 horas para cumprir a decisão.
A liminar atendeu pedido feito pelo Estado da Bahia, que ingressou com Ação Cível Originária contra a portaria do governo Jair Bolsonaro, assinada em 1º de setembro deste ano, que ordenou o envio da Força Nacional aos municípios para reforçar a segurança nos assentamentos da reforma agrária. Na decisão, Fachin também intimou a União, por meio da Advocacia-Geral da União (IAGU), a se manifestar caso haja eventual interesse em conciliação.
Na ação, o Estado informou que a guarda federal foi mandada no último dia 3, sem consulta prévia ou solicitação de autoridades locais, o que violaria o princípio constitucional da autonomia federativa dos estados. E reclamou ainda que os pedidos de esclarecimentos, feitos ao ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, ficaram sem resposta.
Segundo o procurador-geral do Estado, Paulo Moreno, “a decisão do ministro Fachin responde à altura a grave violação constitucional perpetrada pelo Governo Federal". "A Força Nacional tem papel fundamental e relevante para o país, mas sempre como instrumento de fortalecimento do pacto federativo, mediante atuação articulada e respeitando a autonomia dos Estados. Não pode se constituir um veículo de intervenção da União nos Estados membros”, declarou.
O envio da Força Nacional foi objeto de críticas públicas reiteradas do governador Rui Costa, que celebrou a decisão de Fachin. "A Força Nacional não é força nacional, é força confederada. Não tem um policial federal nela, ela é formada por policiais dos estados. Tá na lei que seu uso precisa ser requisitado, pactuado com o governador do estado. Nós não fomos sequer comunicados. Não faz sentido porque lá não é um ocupação ilegal, é um assentamento que existe há mais de 10 anos. É uma questão de medir tamanho de lote de terra", afirmou.
O petista ainda classificou o uso da Força Nacional como "desperdício" de dinheiro público. "Há de se perguntar ao Tribunal de Contas quem tá pagando essa conta, a responsabilidade civil e crime de responsabilidade pelo ministro que autorizou", cobrou. Ele ainda lembrou que o Estado vai questionar a constitucionalidade do decreto que criou a força de segurança: "Não há nenhuma previsão na lei de que a portaria de um ministro possa enviar a Força Nacional ao estado sem sequer comunicar ao governador."
BA Bahia atinge marca de nove mil profissionais da Segurança Pública
BA Páscoa impulsiona produção de chocolates da agricultura familiar no sul da Bahia
Bahia Aposta de Salvador fatura mais de R$ 58 mil na Mega-Sena
BA Governo sanciona lei que autoriza mercados da Bahia a vender medicamentos
BA Câmara de Teixeira de Freitas abre CPIs para investigar Prefeitura
Bahia Sesab regulamenta acesso a imóveis para contenção de risco à saúde pública na Bahia