Em junho, quando soube de seu desligamento, Ivânea Costa, 37, ouviu da direção da escola onde trabalhava, em Salvador, uma justificativa que se tornaria recorrente durante a pandemia: sem perspectiva de retorno das aulas presenciais, as demissões na rede privada de ensino serão inevitáveis.
Professora de educação infantil (etapa que atende crianças de 0 a 5 anos), ela só não esperava que o cenário fosse se agravar em tão pouco tempo.
Até o fim de 2020, cerca de 30 mil docentes que atuam no segmento particular deverão perder seus empregos somente na Bahia, projeta a Fenep (Federação Nacional de Escolas Particulares). Segundo a entidade, a estimativa leva em conta um baque financeiro diante da lei que obriga as escolas a concederem 30% de desconto nas mensalidades enquanto perdurar a crise sanitária.
Em âmbito nacional, os dados atuais são ainda piores: ao menos 300 mil professores da educação básica já foram demitidos até agora.
Para Ivânea, embora necessárias, as medidas de isolamento social adotadas para conter o avanço do vírus afetaram drasticamente o segmento. Houve, segundo ela, uma espécie de efeito dominó, em que não foram poupados de donos escolas a pais de alunos.
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