Quarta, 21 de Outubro de 2026
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Dono da Voepass e mais 11 viram réus por queda de avião que matou 62 pessoas em 2024

Justiça Federal aceita denúncia do MPF, que aponta priorização de lucro em detrimento da manutenção das aeronaves

21/10/2026 16h55
Por: Redação
Dono da Voepass e mais 11 viram réus por queda de avião que matou 62 pessoas em 2024

Doze denunciados se tornaram réus pela Justiça Federal, nesta quarta-feira (21), após serem denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por estarem envolvidos na queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024. Eles respondem por atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo.

O MPF afirma que os crimes não se limitam às causas diretas do acidente, mas envolvem práticas da empresa que priorizavam a redução de custos e o lucro em detrimento da manutenção das aeronaves. Os réus incluem integrantes da alta administração, além de dois funcionários que, de acordo com o órgão, tiveram participação direta nos fatos que levaram à queda:

  • Marcos Hiroyuki Sato (despachante de voo, responsável pelo voo 2283)
  • Alex de Souza Leandro (mecânico)
  • William Schmidt Agatz (gerente do Centro de Controle Operacional)
  • Juliano Flores Pacheco (gerente do Centro de Controle de Manutenção)
  • Raphael Limongi de Figueiredo (chefe do Centro de Controle Operacional)
  • Marcel Sarquis Moura (diretor de Operações)
  • Tiago Passucci Morani (inspetor-chefe e gerente de engenharia)
  • Carlos Alberto Costa (diretor de manutenção)
  • Eric Consoli (diretor técnico)
  • Rafael Gimenez Rodrigues (piloto-chefe)
  • David da Costa Faria Neto (diretor de Segurança Operacional)
  • José Luiz Felício Filho (dono da Voepass)

Outras quatro pessoas indiciadas pela Polícia Federal fecharam acordos de não persecução penal e ficaram fora da denúncia.

O que diz a denúncia

A denúncia, baseada em apurações da PF, do Cenipa e da Anac, afirma que aviões da companhia tinham registros falsos de manutenção ou reparos precários, com peças de baixa qualidade e sem rastreabilidade, e que havia pressão para que falhas não fossem anotadas nos livros de ocorrência. Para o MPF, o desastre foi um “desfecho previsível de um processo continuado de omissões deliberadas”.
O órgão sustenta ainda que a empresa sabia que o ATR 72-500 não era certificado para operar em condições críticas de gelo, mas o escalou para o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), apesar dos alertas de gelo severo na rota. Problemas no sistema de degelo, conhecidos por pilotos e gestores havia pelo menos um ano, teriam contribuído para a perda de sustentação.

O que diz a empresa

Em nota, a Voepass disse que continuará colaborando com a Justiça e afirmou ter mantido a segurança operacional como princípio fundamental ao longo de mais de três décadas. A defesa de Felício informou que se manifestará nos autos no momento adequado e que, à época do acidente, ele integrava o Conselho e estava afastado da gestão cotidiana, tendo retomado o comando executivo depois da queda.

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