Recém-escolhido ministro da Saúde, Marcelo Queiroga descartou a possibilidade de utilizar um lockdown como política de governo em meio à pandemia de coronavírus. Quarto ministro da pasta no governo Bolsonaro, o cardiologista afirmou que a medida é "extrema" e que, embora não haja um tratamento contra a Covid-19, os "médicos têm autonomia para prescrever". "Esse termo de lockdown decorre de situações extremas. São situações extremas em que se aplica. Não pode ser política de governo fazer lockdown. Tem outros aspectos da economia para serem olhados", avaliou o novo ministro.
Queiroga avaliou ainda que, "quanto mais eficiente forem as políticas sanitárias, mais rápido vai haver uma retomada da economia". A fala se distancia do posicionamento anterior adotado pelo próprio médico. Ao jornal Folha de S. Paulo, no último domingo (14), o cardiologista afirmou que a cloroquina não seria parte de sua estratégia de enfrentamento da pandemia –como foi com Pazuello–, caso fosse ministro. A droga faz parte do que o governo Bolsonaro diz constituir tratamento precoce contra a Covid –algo que, segundo cientistas, não existe.
“A própria Sociedade Brasileira de Cardiologia não recomendou o uso dela nos pacientes, e nem eu sou favorável porque não há consenso na comunidade científica”, disse Queiroga na ocasião, citando a recomendação do órgão contra o uso da cloroquina, a hidroxicloroquina e azitromicina para tratamento do coronavírus. Os medicamentos são defendidos até hoje por Bolsonaro mesmo sem ter efeito contra a Covid-19. Depois da repercussão da nota, a entidade recuou e divulgou nova nota, em parceria com o Ministério da Saúde, em que abria a possibilidade de pacientes receberem cloroquina e hidroxicloroquina após assinarem termo de consentimento.
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