O Comitê Olímpico do Brasil (COB) vai apresentar, ainda esta semana, aos comitês de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) uma proposta de “Plano de Governo Esportivo”. A iniciativa busca garantir espaço para o esporte na agenda do próximo presidente e evitar a descontinuidade de políticas públicas.
De acordo com o jornal O Globo, o presidente do COB, Marco La Porta, teme que o Ministério do Esporte volte a ser uma Secretaria Especial, como ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio. O senador já afirmou que pretende reduzir o número de ministérios e cargos comissionados para cortar gastos públicos, mas não especificou quais pastas poderiam ser afetadas.
“O temor sempre existe. A gente sabe que a tendência é que se repita o que foi feito no governo passado (o do pai). Ao trocar o governo, em caso de vitória de Bolsonaro, haverá ainda uma reforma ministerial. E não sabemos o que pode acontecer. Nosso recado é claro: não queremos o fim do Ministério do Esporte”, afirmou La Porta ao jornal O Globo.
Durante uma transmissão ao vivo, Flávio Bolsonaro prometeu manter a estrutura. “O Ministério do Esporte será um dos principais do nosso governo”, declarou. Em nota, sua assessoria reafirmou o compromisso com a redução de ministérios, mas disse que “nenhum ministério essencial será extinto”, sem detalhar o futuro da pasta.
Elaborado com a participação de entidades e representantes do setor, o plano propõe a manutenção do Ministério do Esporte, a implementação do Plano Nacional do Esporte, o fortalecimento do Bolsa Atleta e o aperfeiçoamento dos incentivos tributários.
O documento também destaca os desafios para ampliar a prática de atividades físicas no país. Dados do Vigitel 2024 citados pelo COB apontam que apenas 42,3% dos adultos das capitais brasileiras atingem os níveis recomendados de atividade física no tempo livre.
La Porta também critica a falta de continuidade dos programas e cita o Revelar Talentos, lançado em abril de 2024 para identificar e apoiar jovens atletas. Segundo ele, as cinco confederações contempladas ainda não receberam os recursos previstos para 2026.
O dirigente defende uma política de Estado para o esporte, com planejamento e financiamento contínuos, independentemente das mudanças de governo.
Criado em 1995, o Ministério do Esporte passou por fusões e recriações. Em 2019, foi incorporado ao Ministério da Cidadania e voltou a ter estrutura própria posteriormente. O orçamento da pasta para 2026 é de R$ 2,5 bilhões.
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