Para a maioria dos brasileiros que assistiu ao vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro quis interferir politicamente na chefia da Polícia Federal. De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (27), são 61% que tem este entendimento.
Ainda dentro dos que acompanharam a reunião, 32% dos brasileiros acreditam na versão dada por Bolsonaro de que ele se referia à mudança da segurança pessoal de sua família ao dizer que iria "interferir sim".
Os dados foram colhidos em pesquisa realizada na segunda (25) e na terça (26), feita por telefone com 2.069 adultos em todo o país. A margem de erro é dois pontos percentuais para mais ou menos. Tiveram acesso ao vídeo ou a seu conteúdo 55% dos brasileiros, segundo o instituto.
As opiniões se dividem entre as regiões. Enquanto Sul e Norte/Centro-Oeste defendem, o Nordeste tem maior desconfiança em relação ao presidente.
Acreditam na versão negativa para Bolsonaro jovens de 16 a 24 anos (70%), os mais instruídos (66%) e os mais ricos (acima de 10 salários mínimos, 65%).
PALAVRÕES
Os palavrões utilizados não foram aprovados. 76% das pessoas consideraram a fala do presidente na reunião inadequada, 61% delas muito e 15%, um pouco.
As mulheres, sempre um ponto fraco do desempenho de Bolsonaro em pesquisas desde a eleição de 2018, foram especialmente críticas, com 68% reprovando fortemente o presidente, assim como moradores do Sudeste e do Nordeste (64% nas duas regiões mais populosas do país).
Por outro lado, apenas 19% acharam as falas positivas, 11% destes optando por achar que foram muito apropriadas.
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